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Brasil não precisa criar ChatGPT próprio para lucrar com inteligência artificial

Segundo Paulo Ernani, da AVEX AI Lab, o Brasil pode obter grandes ganhos com IA sem criar sistemas próprios. O segredo está na adoção rápida por empresas locais, enquanto o custo internacional de uso da tecnologia cai. O maior risco está em não aproveitar essa janela de oportunidade.

Por Raúl López · 13 de ago. de 2026, 06:03

Brasil não precisa criar ChatGPT próprio para lucrar com inteligência artificial
A busca por uma infraestrutura própria para inteligência artificial (IA), incluindo o desenvolvimento de um "ChatGPT brasileiro", não é necessária para que o país colha os benefícios da tecnologia. Essa é a principal análise de Paulo Ernani, diretor de operações da consultoria AVEX AI Lab, que defende a rápida adoção da IA pelas empresas nacionais como caminho mais efetivo para ganhos operacionais e de produtividade. ## Oportunidade está na adoção, não na infraestrutura Para Ernani, o maior risco para o Brasil não está em não liderar a construção de chips avançados, modelos de linguagem ou data centers, mas em demorar para incorporar a IA nos processos empresariais. "Mesmo sem dominar a infraestrutura, a empresa brasileira que automatiza atendimento, comercial ou operações já pode captar ganhos relevantes, já que o custo de adoção tem caído com a concorrência global", ressalta. A análise do especialista divide o mercado de IA em duas camadas. De um lado, estão fornecedores de infraestrutura — como fabricantes de chips, desenvolvedores de modelos e operadores de data centers, que concentram grande parte do capital e investimentos neste primeiro ciclo. De outro, as empresas que usam a tecnologia para melhorar processos, cortar despesas e ampliar receitas — segmento no qual, segundo Ernani, está o verdadeiro potencial brasileiro. ## Competição global favorece usuários finais A corrida por infraestrutura, travada por gigantes como Amazon, Alphabet, Meta e Microsoft, está impulsionando investimentos massivos em data centers e equipamentos. Porém, Ernani destaca que, à medida que a competição aumenta, o custo de uso da IA — chamado de inferência — deve despencar, o que favorece especialmente as companhias usuárias finais. Segundo o executivo, mesmo em cenários de correção de mercado e redução no ritmo global de investimentos, empresas brasileiras continuam a se beneficiar da queda desses custos, tornando a automação e digitalização de processos ainda mais acessível sem a necessidade de possuir tecnologia própria. "O maior vencedor será a empresa comum que souber usar IA antes dos outros", afirma. ## Brasil: potencial como destino e como usuário Além do uso da IA, o Brasil também figura como importante destino de investimentos em data centers, favorecido pela disponibilidade de energia renovável e escala elétrica. O país já reúne quase metade da capacidade de data centers instalados na América Latina. Ainda assim, Ernani ressalta que, para a imensa maioria das companhias, a principal vantagem não está em construir infraestrutura, mas em adotar rapidamente as soluções já disponíveis no mercado. Ele compara esse ciclo ao de outras revoluções tecnológicas, como internet e energia elétrica, em que o maior valor a longo prazo foi conquistado por quem soube reinventar produtos e processos com a nova tecnologia, não necessariamente por quem construiu equipamentos ou operou a infraestrutura base. ## Caminho brasileiro: adoção prática No contexto atual, Ernani recomenda que as empresas brasileiras priorizem a implementação prática das ferramentas de inteligência artificial como forma de garantir competitividade — deixando em segundo plano a ambição de criar um ChatGPT nacional ou dominar toda a cadeia tecnológica. "Quem sair na frente na adoção projetará vantagens competitivas relevantes no mercado interno e externo, construindo produtividade e inovação com a IA disponível", conclui. Acompanhe mais debates sobre o uso de inteligência artificial e tecnologia no Brasil em braziltechhub.com

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