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Brasil terá fábrica pioneira de pele de tilápia para queimaduras
O Brasil se prepara para instalar no Ceará a primeira fábrica mundial de pele de tilápia para tratar queimaduras, iniciativa que une inovação científica e impacto social. Com investimento robusto, a produção será capaz de atender o SUS e poderá influenciar tratamentos internacionais, mostrando o valor da pesquisa nacio
Por Pablo Morales · 18 de ago. de 2026, 07:28

## Fábrica inédita será instalada em Jaguaribara, Ceará
O Brasil está prestes a se destacar mais uma vez no cenário mundial da inovação em saúde: será inaugurada em Jaguaribara, no interior do Ceará, a primeira fábrica do mundo dedicada à produção em larga escala de pele de tilápia para uso médico, especialmente no tratamento de queimaduras. O projeto, conduzido pelo Consórcio Biotec via Inova Medical, terá investimento inicial de **R$ 52 milhões**.
## Transformando um resíduo em tecnologia de ponta
A tecnologia, desenvolvida a partir de pesquisas da **Universidade Federal do Ceará (UFC)**, permite que a pele da tilápia, normalmente descartada pela indústria pesqueira, seja transformada em um curativo biológico. Esse material é aplicado diretamente sobre lesões e queimaduras, aderindo à ferida e promovendo cicatrização mais eficiente. Seu uso já se mostrou eficiente no tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus, além de feridas difíceis de cicatrizar.
Atualmente, o laboratório da UFC consegue preparar até 600 peles mensalmente para fins de pesquisa. Com a fábrica, a produção saltará para **4,3 mil unidades por dia** já no primeiro ano. Em uma segunda fase, essa capacidade pode chegar a **12 mil peles diárias**.
## Redução de custos e maior acessibilidade
Entre as principais vantagens do curativo de pele de tilápia estão a diminuição da frequência das trocas – procedimento normalmente doloroso na medicina tradicional – e a possibilidade de reduzir significativamente o uso de analgésicos potentes, como opioides. Segundo dados do Consórcio Biotec, essa tecnologia pode reduzir em até 52% o custo total do tratamento de queimaduras, comparado aos métodos clássicos, além de diminuir a necessidade de internações frequentes para troca de curativo.
A expectativa dos responsáveis é que o produto industrializado atenda parte da demanda do **Sistema Único de Saúde (SUS)**, ampliando o acesso ao tratamento inovador a pacientes em todo o Brasil.
## Tecnologia de conservação e exportação
Outro diferencial é a liofilização, técnica que desidrata e conserva a pele processada sem necessidade de refrigeração, garantindo validade de até três anos em temperatura ambiente. Para aplicação, basta reidratar o material em solução fisiológica, facilitando armazenamento, transporte e até exportação futura. Países como México, Turquia e Portugal já manifestaram interesse no produto.
A fábrica utilizará matéria-prima local, aproveitando a proximidade com o Açude Castanhão, importante polo de produção de tilápia no estado. Com isso, um resíduo da indústria é convertido em material biomédico de alto valor agregado, potencializando geração de renda e **previsão de 200 empregos diretos** na unidade.
## Cronograma e perspectiva
A construção da fábrica começa em outubro, com obras estimadas para durar entre 15 a 18 meses. A operação comercial está prevista para iniciar em janeiro de 2028, dependente da autorização da **Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)**. Haverá treinamento de trabalhadores em parceria com a UFC e outras instituições.
O projeto reafirma o potencial do Brasil em inovação biomédica, oferecendo benefícios à saúde e impacto socioeconômico regional significativo.
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