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Democracia liberal em crise: desafios e caminhos para o século 21
O novo livro de Daron Acemoglu provoca discussões ao abordar os limites atuais e as possíveis reformas necessárias para a democracia liberal diante das transformações econômicas, sociais e tecnológicas do século 21. O autor, vencedor do Nobel de Economia, sugere caminhos, mas reconhece barreiras como o poder das grande
Por Lina Morales · 14 de ago. de 2026, 08:02

## Democracia liberal: um conceito em xeque
A democracia liberal vive um momento de intensa pressão ao redor do mundo, atingindo debates centrais também no Brasil. O novo livro do renomado economista Daron Acemoglu, recentemente laureado com o Prêmio Nobel de Economia ao lado de James A. Robinson e Simon Johnson, lança luz sobre as contradições e desafios atuais do modelo democrático liberal, em especial no contexto de transformações tecnológicas, econômicas e sociais.
## O papel do liberalismo e seus dilemas
Acemoglu identifica três vertentes do liberalismo em seu livro: a tradição progressista, marcada pela busca do bem comum; o liberalismo clássico, que defende o mínimo de intervenção estatal; e uma linha intermediária, semelhante à social-democracia europeia, valorizando a não dominação e o equilíbrio entre segurança econômica e liberdade individual. Para ele, democracia e ideias liberais caminham juntas e são fundamentais para sociedades livres e inovadoras.
O autor enumera quatro premissas essenciais: a falibilidade humana, a importância da comunidade no aprendizado, o valor do debate aberto e o conhecimento coletivo como base do funcionamento social. Seus pilares incluem experimentação, autogoverno, crescimento econômico compartilhado e comunitarismo equilibrado entre direitos individuais e coletivos.
## O colapso social e a ascensão dos desafios
Apesar dos triunfos do liberalismo nas décadas pós-Segunda Guerra Mundial — como avanços científicos, expansão do conhecimento, serviços públicos e inclusão social —, Acemoglu destaca as recentes rupturas: desindustrialização, ataque aos sindicatos, queda dos salários dos menos qualificados e a fragmentação social entre graduados e a classe trabalhadora tradicional. A crise foi agravada pelo crescimento do setor de tecnologia e da inteligência artificial, que potencializaram problemas de disseminação de desinformação, intolerância e polarização, fenômenos sentidos também nas redes sociais do Brasil.
O desafio contemporâneo se agravou com disputas culturais entre esquerda e direita, mudanças no perfil da classe trabalhadora e o aumento do poder das grandes empresas de tecnologia, cujos algoritmos e plataformas influenciam opiniões e participação política.
## Possíveis respostas e desafios para o futuro
Como resposta, Acemoglu recomenda ações como fortalecer comunidades, resgatar valores fundadores do liberalismo, criar narrativas que unam diferentes grupos, investir em instituições e tecnologias para gerar empregos de qualidade e promover serviços públicos acessíveis. Entretanto, ele e analistas como Martin Wolf são céticos sobre a viabilidade dessas mudanças diante da força das divisões culturais e do poder sem precedentes das gigantes tecnológicas.
O Brasil, como outras democracias contemporâneas, enfrenta seus próprios riscos diante da erosão de pactos sociais históricos e da crescente influência das plataformas digitais. Debates sobre prosperidade compartilhada, igualdade e inclusão são fundamentais para evitar retrocessos autocráticos e garantir a vitalidade democrática.
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