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Despedida no jornalismo: a busca por vilões e mocinhos na política contemporânea
Ross Douthat utiliza sua despedida do New York Times para analisar o atual cenário político mundial, no qual a distinção entre antagonistas se mostra cada vez mais turva. Ele destaca a necessidade de um jornalismo que questione mais do que afirme e ressalta a influência do avanço tecnológico, sobretudo da inteligência
Por Marco Fernández · 12 de ago. de 2026, 06:51

## Reflexão sobre uma longa trajetória no jornalismo
Após 17 anos como colunista, **Ross Douthat** se despede do *The New York Times*, marcando o fim de uma era na cobertura política e cultural internacional. Durante boa parte de sua carreira, Douthat encontrou no consenso entre as elites liberais americanas o principal antagonista, representado por figuras como Barack Obama e líderes do Vale do Silício. Esse grupo, com uma visão de mundo centrada no liberalismo social e na meritocracia, dominava não apenas o debate político nos EUA, mas também influenciava o contexto global, inclusive ressoando nos ambientes jornalísticos brasileiros.
## Críticas às visões predominantes
Douthat revela que, por muito tempo, antagonizou esse pensamento dominante tanto por razões pessoais quanto políticas. Como conservador religioso, discordava de pautas como aborto, imigração e política externa expansionista. Ao longo dos anos, previu as consequências do poder centralizado em tecnocratas e lamentou a falta de críticos contundentes dentro das próprias elites.
A queda desse consenso, segundo o jornalista, abriu espaço para o surgimento do populismo—incorporado por Donald Trump—que, apesar de ampliar críticas ao establishment, apresentou problemas próprios, como corrupção e instabilidade. No entanto, Douthat reconhece que a expectativa de um populismo autoritário não se consolidou da forma esperada.
## Novos dilemas: entre populismo, establishment e identitarismo
O colunista também questiona o retorno de estabelecimentos liberais sob outras lideranças, como Joe Biden, apontando uma tendência à repetição dos mesmos erros e vícios que permitiram a ascensão do populismo. Levanta dúvidas se o progressismo renovado pode ser o caminho, lembrando que experimentos recentes produzem instabilidades sociais e educacionais.
Para Douthat, nenhuma das grandes facções políticas aparenta hoje representar um "mocinho" ou um "vilão" evidente. Cada grupo exibe pecados e virtudes particulares, tornando o papel do jornalismo – perguntar mais do que afirmar – ainda mais relevante no momento atual, inclusive para a cobertura política e social brasileira.
## Os desafios tecnológicos na nova era
A revolução tecnológica, especialmente com a chegada da inteligência artificial, traz novos campos de disputa e incertezas para o jornalismo e para a sociedade. Quem são os verdadeiros aliados e opositores neste cenário? Os defensores otimistas da IA ou os céticos preocupados com seus riscos? A resposta, para o jornalista, dependerá do desenvolvimento do próprio contexto tecnológico e social.
Douthat encerra sua despedida demonstrando esperança no papel do jornalismo investigativo diante dessa nova complexidade global. Ao migrar para a CBS News, seu desejo é continuar iluminando eventos e desafiando narrativas, algo fundamental para profissionais e leitores brasileiros diante dos dilemas contemporâneos.
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