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Economista alemão critica gastos militares e falta de aposta em IA e drones
O economista Moritz Schularick criticou o plano de rearmamento da Alemanha, alegando que o país investe em tanques e navios ao invés de apostar em novas tecnologias como drones e inteligência artificial. O debate expõe a necessidade de modernização do setor de defesa, relevante também para países que buscam inovação mi
Por Mariano Bravo · 12 de ago. de 2026, 11:05

## Economista questiona foco da Alemanha em tanques e navios
O presidente do Instituto Kiel para a Economia Mundial (IfW), Moritz Schularick, lançou um alerta sobre a direção dos investimentos militares da Alemanha. Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, o economista afirmou que o governo alemão, por meio do ministro da Defesa Boris Pistorius, tem priorizado recursos em tecnologias consideradas defasadas diante do cenário moderno de guerra — como tanques e fragatas —, deixando em segundo plano áreas estratégicas como inteligência artificial, drones, robótica e satélites.
Schularick destacou que o plano bilionário de rearmamento da Bundeswehr, avaliado em 152 bilhões de euros (aproximadamente R$ 880 bilhões) até 2029, pode ser pouco eficaz se mantiver esse direcionamento. Ele defende uma revisão urgente nos gastos, priorizando tecnologias que refletem a transformação digital dos campos de batalha, como ficou evidente em conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
## Riscos de perder relevância geopolítica
Segundo Schularick, uma força militar moderna depende menos da ampliação de efetivos e veículos tripulados e mais da capacidade de inovar tecnologicamente. Adotar drones avançados, IA e robótica seria fundamental para garantir a defesa nacional e a competitividade industrial, inclusive favorecendo o crescimento econômico futuro. Ele sugere a criação de uma estrutura centralizada ligada diretamente à Chancelaria da Alemanha para coordenar compras militares e remodelar o setor de defesa, reunindo indústria, startups e governo em torno de objetivos claros.
A crítica expõe um debate global sobre as estratégias de modernização dos exércitos em tempos de inteligência artificial e armamentos autônomos. Para Schularick, a Alemanha corre risco de ficar para trás, caso continue apostando em modelos tradicionais, enquanto países rivais buscam inovação em larga escala.
## Governo alemão destaca investimentos em digitalização
Apesar das críticas, o Ministério da Defesa da Alemanha afirmou que o país já destina recursos significativos para digitalização militar, incluindo aquisição de caças modernos F-35, investimentos em infraestrutura espacial e bilhões de euros para drones avançados. O governo defende que é preciso conciliar prontidão imediata com inovação contínua, diante dos desafios reais de defesa até 2029.
O setor industrial, representado por nomes como Armin Papperger, presidente da fabricante de armamentos Rheinmetall, também pondera que, apesar do avanço dos drones, tanques e mísseis continuam essenciais. Porém, especialistas apontam que manter apenas o tradicional pode limitar o impacto dos recursos, se faltar investimento na produção em grande escala de novas tecnologias.
## Implicações para o cenário internacional, inclusive o Brasil
A discussão encabeçada por Schularick interessa não só à Alemanha, mas países de todo o mundo, inclusive o Brasil, que busca modernizar suas Forças Armadas e estimular a indústria de defesa nacional. O exemplo europeu mostra a importância de investir em inteligência artificial e inovação tecnológica, temas cada vez mais presente nos debates estratégicos brasileiros.
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