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Especialista alerta para autovigilância e riscos no uso excessivo de smartwatches
A pesquisadora Btihaj Ajana, referência em ética digital, aborda o aumento da autovigilância e os riscos da centralização de dados causados pelo uso intensivo de smartwatches e outros wearables. Ela chama atenção para o impacto psicológico e as consequências sociais desse fenômeno, incluindo riscos à privacidade e auto
Por María Carmen López · 22 de ago. de 2026, 15:03

## O impacto dos wearables no cotidiano
O uso de dispositivos vestíveis, como **smartwatches** e pulseiras de monitoramento, tem se expandido rapidamente entre brasileiros que buscam acompanhar dados relacionados à saúde. Entretanto, para Btihaj Ajana, professora de Ética e Cultura Digital no King’s College de Londres, essa tendência pode trazer consequências negativas, indo além do simples acompanhamento físico.
## Da saúde ao controle: onde está o limite?
Segundo Btihaj, os **wearables** passaram a ocupar um espaço de autovigilância constante, transformando informações antes pessoais em métricas objetivas geradas por algoritmos. “A percepção do próprio bem-estar passa a depender de resultados numéricos, distanciando o indivíduo de sua experiência subjetiva de saúde”, afirma a pesquisadora. Em vez de apenas ajudarem, esses dispositivos podem tornar a manutenção do corpo uma obrigação, gerando ansiedade e pressão para atingir metas estipuladas por programas e aplicativos.
## A vida dominada por métricas e eficiência
Além dos efeitos individuais, Ajana destaca que o lazer, descanso e até o sono estão sendo reorganizados sob a ótica da produtividade e mensurabilidade. O risco é de uma colonização da vida pessoal por mecanismos oriundos do ambiente corporativo, como auditoria e gestão por desempenho. Esse movimento, segundo ela, “transforma corpos e rotinas em objetos a serem otimizados”.
## Preocupações com privacidade e dados
Btihaj também ressalta um ponto crucial: o controle dos dados sensíveis por grandes empresas de tecnologia. A centralização desses dados pode levar a decisões que extrapolam o propósito inicial do monitoramento, como influenciar planos de saúde, seguradoras e processos seletivos de trabalho. “É preocupante imaginar um futuro no qual métricas individuais definam empregabilidade, valor do seguro ou mesmo acesso a benefícios”, alerta.
## Reflexos para o Brasil
A popularização dos smartwatches e wearables no Brasil segue a tendência global, mas exige atenção redobrada de usuários, autoridades e empresas sobre privacidade, limites éticos e uso responsável da tecnologia. É fundamental refletir sobre como utilizamos esses dispositivos e quem realmente tem acesso às informações geradas.
A discussão levantada por Btihaj Ajana reforça a necessidade de um debate aberto sobre os impactos dos dispositivos digitais de monitoramento na sociedade brasileira.
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