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Estufas de Almería: o mar branco que aparece em imagens de satélite
O mar de estufas de Almería, na Espanha, cobre milhares de hectares e aparece em imagens de satélite, ao contrário da Grande Muralha da China. A região se transformou graças à inovação local e hoje é referência mundial em produção e exportação de hortaliças.
Por María Rosa Fernández · 12 de ago. de 2026, 11:56

## O fenômeno das estufas de Almería: paisagem visível do espaço
Ao contrário de crenças populares como a que diz que a Grande Muralha da China pode ser vista a olho nu do espaço, na realidade é o mar de estufas de **Almería**, na Espanha, quem se destaca nas imagens captadas por satélites. Esta vasta extensão de plástico branco chamou a atenção da comunidade científica e ilustra como uma transformação agrícola pode mudar a paisagem a ponto de ser reconhecida do alto.
## Origem e expansão das estufas
A região de Campo de Dalías, no sudeste espanhol, permaneceu por muito tempo com vegetação rasteira e cultivos sazonais. Essa história começou a mudar em 1963, quando os primeiros experimentos de cultivo protegido com plástico deram início ao que hoje é o maior complexo de estufas do mundo. Diferente do que alguns relatos sugerem, a inspiração não veio de uma estufa holandesa, mas sim da adaptação de técnicas de parreirais de uva locais. O resultado foi o modelo "invernadero tipo parral", que revolucionou a produção agrícola da região.
Estudos e documentos oficiais espanhóis mostram que o início da inovação veio dos próprios agricultores da área, e não de uma mera cópia estrangeira. Experiências pioneiras, como a do agricultor Juan Sánchez Romera, foram fundamentais para o surgimento e consolidação do paradisíaco mar de estufas que conhecemos hoje.
## Impacto ambiental e econômico
Com o passar das décadas, as estufas de Almería cresceram tanto que, em 2022, já cobriam mais de 40 mil hectares, tornando-se facilmente visíveis em imagens como as do satélite Landsat 9, da NASA. O plástico branco das coberturas reflete tanta luz que forma uma "mancha" brilhante nos registros orbitais, alterando inclusive o chamado albedo, uma medida física sobre a reflexão de radiação solar.
Pesquisas vinculadas à Universidade de Almería indicam que houve aumento de quase 10% no albedo da região, o que pode ter colaborado para um leve resfriamento local enquanto áreas vizinhas aqueceram no mesmo período. Ou seja, além do impacto visual, há reflexos ambientais vindos dessa inovação.
## Da produção regional ao abastecimento europeu
Almería é reconhecida por sua intensa produção de hortaliças como tomate, pepino, pimentão, abobrinha, entre outros. Ainda que existam frases de efeito — como a ideia de que as estufas abastecem metade da Europa —, os dados oficiais apontam que cerca de 70% dessa produção é destinada à exportação, sendo uma parte importante do mercado europeu, mas sem atingir metade do seu consumo.
Para se ter dimensão, somente entre setembro e dezembro de 2024, a região exportou mais de 111 mil toneladas de tomate, movimentando milhões de euros. Os resultados mostram a força comercial de Almería sem necessidade de exageros. A produção local alimenta tanto a economia espanhola quanto a cadeia de suprimentos de diversos países europeus.
## Uma marca visível e de impacto global
O mais fascinante em Almería não é apenas a área plantada, mas a transformação radical de uma paisagem árida por meio de inovações agrícolas perfeitamente adaptadas ao ambiente local. O "mar branco" das estufas segue visível em fotos de satélite, consagrando-se como exemplo de como a tecnologia pode modificar a relação entre sociedade e ambiente físico, gerando riqueza e revolucionando hábitos alimentares em escala global.
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