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MPF contesta norma da ANTT que limita parcerias entre ônibus e tecnologia
O Ministério Público Federal (MPF) questiona a nova regra da ANTT que restringe parcerias entre empresas de ônibus e plataformas de tecnologia. O MPF alega que a regra é ilegal e pode prejudicar inovação e competição no setor, favorecendo grandes empresas e dificultando a sobrevivência de operadoras menores. O tema est
Por Adrián Ortega · 14 de ago. de 2026, 08:26

O Ministério Público Federal (MPF) lançou críticas à mais recente normativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), argumentando que a agência criou uma proibição considerada ilegal a respeito de parcerias entre empresas de ônibus e plataformas de tecnologia. A medida, que deve entrar em vigor na próxima terça-feira (18), restringe acordos comerciais ligados principalmente à intermediação digital de passagens, uma tendência crescente no setor.
## O que diz a nova regra da ANTT
De acordo com o MPF, a ANTT enquadra parcerias comerciais com empresas de tecnologia — como as responsáveis pela venda online de passagens e integração de serviços — como "subautorização". Esse conceito, segundo a agência, significaria uma transferência indevida da concessão pública, classificada como infração gravíssima e sujeita à cassação da licença das operadoras de ônibus e à aplicação de multas de até R$ 10 milhões. O risco de falência para empresas menores é apontado como consequência direta da regra.
A ANTT, por sua vez, informou que mantém a permissão para "acordos comerciais lícitos" e prometeu se manifestar nos autos do processo. O regulamento questionado foi contestado pelo Instituto Livre Mercado na Justiça Federal do Distrito Federal.
## Riscos à inovação e à competição no setor rodoviário
O parecer do MPF destaca que a ANTT teria extrapolado suas prerrogativas institucionais ao criar normas sem debate técnico prévio e sem o respaldo de legislação formal. "A agência reguladora não possui poder normativo primário para criar punições restritivas sobre contratos privados e arranjos tecnológicos legítimos, especialmente quando não há vedação legal expressa", afirmou o órgão.
Nos últimos anos, o setor rodoviário assistiu a uma redução no número de empresas e linhas de ônibus em operação, refletindo dificuldades de competitividade e flexibilização dos serviços. Segundo o MPF, as limitações impostas pela ANTT podem favorecer grandes companhias, reduzindo mais ainda a competição no mercado, e contribuindo para possíveis práticas monopolistas.
## Debate regulatório e futuro do mercado
O processo aberto pelo Instituto Livre Mercado é mais um episódio de uma série em que o MPF aponta possíveis excessos regulatórios da ANTT e reforça a necessidade de modernização para garantir inovação, diversidade de serviços e preços mais competitivos aos usuários.
A discussão evidencia um dilema recorrente em setores regulados: como proteger o usuário e manter o equilíbrio de mercado sem sufocar iniciativas tecnológicas e novos modelos de negócios que podem beneficiar consumidores e empresas.
A decisão sobre a validade da norma será tomada pela Justiça Federal. Enquanto isso, empresas de tecnologia e transporte aguardam definições para ajustar suas operações.
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