O Governo do Paraná vem ampliando o alcance da inovação para além dos grandes centros urbanos. Distribuindo investimentos estratégicos, o estado inaugurou recentemente parques tecnológicos em municípios do interior, como Umuarama, Lapa, Castro e Irati. A proposta é fortalecer o ecossistema de inovação, aproximando universidades, empresas e poder público locais e promovendo novas oportunidades em regiões tradicionalmente menos contempladas por iniciativas desse tipo.
Ecossistema descentralizado: conectar pesquisa e prática regional
Enquanto a capital e a Região Metropolitana de Curitiba já contam com polos consolidados, a expansão para cidades menores sinaliza uma política de descentralização dos recursos públicos dedicados à tecnologia. Por meio de programas como o Sistema Estadual de Ambientes Promotores de Inovação (Separtec) e com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), o governo fomenta ambientes de pesquisa e laboratórios especializados, integrando universidades federais e estaduais com as demandas locais — desde o agronegócio até a gestão pública.
Destaques regionais: de projetos urbanos à biotecnologia
Em Umuarama, o destaque é o Technopark, instalado em área municipal de 12 mil m², funcionando como elo entre poder público, universidades (como UEM e Unipar) e empresas. Além de laboratórios de grafeno e pesquisa agropecuária, o parque abriga programas como o TecnoBIM (focado em modelagem digital por estudantes de engenharia e arquitetura) e o Projetech, que desenvolve projetos urbanos gratuitos para pequenas cidades da região.
A Lapa inaugurou o Saber Tech, com perfil regional voltado à energia e biocombustíveis. Resultado da articulação entre a Associação Comercial, o Pro Metrópole, o Sebrae e a UFPR, o parque serve como centro para startups e pesquisas que buscam agregar valor a commodities como soja e milho. A ideia é incubar empresas e acelerar projetos inovadores nos setores de saúde, meio ambiente e energia, diminuindo riscos para empreendedores locais.
Já em Castro, centro do agronegócio leiteiro, o Parque Tecnológico Agroleite facilita a conexão entre produtores, cooperativas e universidades. Seu Laboratório de Biotecnologia do Leite pesquisa derivados lácteos com apoio da UEPG e da Fundação Araucária. O local se prepara para inaugurar, até 2027, o Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite do Senar Nacional, expandindo ainda mais as capacitações para a indústria.
Em Irati, o grande diferencial está no volume de investimento: são R$ 68,5 milhões em recursos estaduais e municipais para criar o Centro de Inovação e Tecnologia Terra dos Pinheirais, integrando espaços de coworking, incubação e formação para conter a saída de talentos da região. A iniciativa busca reter profissionais, transformando pesquisas acadêmicas em negócios e soluções práticas para o mercado.
Impacto regional e perspectivas
A descentralização do ecossistema de inovação paranaense permite que municípios do interior desenvolvam soluções alinhadas com seus desafios e vocações econômicas. Pequenas cidades podem, agora, atrair startups, capacitar jovens e modernizar indústrias locais sem depender da migração para grandes centros. O apoio financeiro e institucional viabiliza laboratórios avançados, projetos industriais, cursos técnicos e, principalmente, integração entre academia e setor produtivo.
Essas iniciativas fortalecem o potencial competitivo do Paraná em diversos setores, como energia, agronegócio e tecnologia, servindo de modelo para outros estados. A expectativa é que, com a consolidação desses ambientes, surjam novos negócios, geração de empregos de qualidade e permanência de cérebros no interior.
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