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Reciclagem em Curitiba evolui com softwares de gestão e tecnologia
Curitiba lidera a reciclagem no Brasil, graças à adoção de softwares de gestão e tecnologia digital por empresas do setor. O uso desses sistemas transforma operações, aumenta a eficiência e estimula a inclusão financeira dos catadores, mostrando o potencial da transformação tecnológica para a sustentabilidade urbana.
Por Pilar Fernández · 18 de ago. de 2026, 05:47

## Reciclagem ganha impulso tecnológico em Curitiba
Curitiba se destaca nacionalmente em reciclagem, atingindo 23,8% de aproveitamento dos resíduos sólidos – um índice cinco vezes maior que a média do Brasil, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). O que antes era marcado por processos manuais e muitos registros em cadernos ou planilhas, agora passa por uma revolução silenciosa: o uso de softwares de gestão e tecnologia digital em todas as etapas do ciclo do lixo reciclável.
### Do caderninho ao controle em tempo real
O avanço tecnológico começa a se materializar em empresas como a **GPS Resíduos**, fundada há 15 anos por uma família do bairro Uberaba. Antes, o controle de materiais e movimentações dependia de caderninhos e registros manuais, frequentemente gerando inconsistências e perdas de dados. "Saímos do caderno para o Excel, mas ainda encontrávamos furos e muita falha humana", conta Luiz Renato Costa, sócio da GPS. A virada veio com a implantação do sistema **SGR Plus**, desenvolvido pela **Grupo Sygecom**, referência nacional em soluções para o setor.
A digitalização permitiu acompanhamento em tempo real do estoque, preços médios e balanços financeiros, além da emissão automática de notas fiscais e redução de erros. "Hoje tenho todas as informações instantaneamente, o que facilita decisões e evita prejuízos", diz Luiz. A empresa passou de quatro para 15 funcionários e pode chegar a 25 em períodos de alta demanda, ilustrando a profissionalização crescente no setor.
### Setor de reciclagem: desafios e oportunidades
Apesar desse avanço, o setor ainda carrega fortes traços de informalidade. Em Curitiba, mais de 75% dos materiais recicláveis continuam sendo coletados por catadores autônomos, que enfrentam desafios básicos como acesso à tecnologia ou mesmo à bancarização. Para incluir esses trabalhadores, a **Sygecom** lançou o aplicativo gratuito Recicla Fácil, que possibilita ao catador controlar eletronicamente o quanto coletou e vendeu, promovendo inclusão financeira inicial.
Outra inovação surgiu para combater problemas recorrentes, como o furto de materiais nobres (a exemplo do cobre): um sistema de reconhecimento facial, desenvolvido pela Sygecom, passou a identificar quem entrega os resíduos, separando os profissionais sérios de quem busca vantagens ilícitas.
Além disso, a própria Sygecom desenvolveu uma fintech voltada a catadores informais, oferecendo-lhes serviços financeiros como cartões e acesso a contas digitais, um passo importante rumo à chamada “cidadania financeira”.
### Futuro sustentável e digital
A história de empresas como a GPS Resíduos expõe um ecossistema em transição: de um lado, organizações altamente digitalizadas; do outro, uma base ainda marcada por desafios de infraestrutura e formalização. O caminho, porém, parece claro: a tecnologia está criando uma ponte entre esses extremos, favorecendo o crescimento sustentável e a eficiência do setor reciclador, além de ampliar a inclusão social dos profissionais envolvidos.
Curitiba mantém, assim, seu título de capital ecológica do Brasil, mas agora com ferramentas digitais e soluções inovadoras que podem servir de exemplo para todo o país.
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