Uma marca que marcou época
Quem teve um celular nos anos 2000 certamente se lembra da Sony Ericsson, reconhecida por aparelhos como K750i, W800 e a linha Walkman, sucesso absoluto entre os jovens brasileiros na época. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a empresa não faliu nem desapareceu por completo. Sua transformação foi resultado de uma decisão estratégica: a Sony comprou a parte da Ericsson na joint venture, encerrando a marca nos celulares, mas deixando um legado que ainda ecoa no mercado de tecnologia.
Da união à separação: o nascimento e fim da Sony Ericsson
A Sony Ericsson Mobile Communications foi criada em 2001, quando Sony e Ericsson juntaram forças para explorar o mercado global de celulares. Cada uma ficou com 50% da nova empresa, que aproveitou o momento em que a telefonia avançava para os recursos multimídia e surgiam as primeiras redes 3G. O lançamento aconteceu justamente no dia em que a primeira rede 3G entrou em operação no Japão, marcando a entrada da joint venture no cenário internacional.
Modelos populares como o Sony Ericsson Walkman e a linha Cyber-shot, focados em música e fotografia, ajudaram a consolidar a marca como referência entre os celulares pré-smartphone. Foi nesta época que nasceu a marca Xperia, lançando o primeiro modelo em 2008, ainda sob a joint venture. Com a chegada dos smartphones e o domínio de Apple e Samsung, a Sony Ericsson começou a perder protagonismo, especialmente por não conseguir acompanhar a velocidade das inovações.
Em 2011, a Sony decidiu comprar a fatia da Ericsson por 1,05 bilhão de euros. Assim, a marca desapareceu dos celulares — não como uma falência, e sim pela decisão da empresa japonesa de assumir integralmente o negócio, rebatizando-o para Sony Mobile Communications.
Caminhos opostos: Sony e Ericsson em 2026
Enquanto a Sony manteve a linha Xperia, embora com atuação bem mais tímida no mercado global e no Brasil, a Ericsson se reinventou longe dos smartphones. Hoje, é uma gigante global em infraestrutura de telecomunicações, fornecendo equipamentos e sistemas para redes móveis 4G e 5G. Dados recentes mostram que a Ericsson faturou mais de 236 bilhões de coroas suecas em 2025 e opera cerca de metade do tráfego global 5G (exceto China), mostrando a força do seu negócio após abandonar o consumidor final.
Já a Sony diversificou ainda mais suas áreas de atuação. Além dos celulares Xperia, se mantém forte nos segmentos de PlayStation, câmeras profissionais, sensor de imagem para smartphones (inclusive de outras marcas), TVs, áudio e entretenimento, com destaque para a Sony Music e Sony Pictures.
O legado vivo e a memória dos brasileiros
A principal herança da Sony Ericsson, hoje, é a marca Xperia — ainda presente em lançamentos pontuais focados em fotografia e tecnologia premium, embora indisponível oficialmente no Brasil há anos. Para muitos brasileiros, a marca remete à era de ouro dos celulares "tijolão" e com música no bolso. Já a Ericsson, mesmo sem produtos para consumidores finais, segue influente ao garantir que operadoras brasileiras tenham acesso ao que há de mais avançado em redes móveis.
Mesmo com caminhos separados, ambas as empresas continuam relevantes, seja nos bastidores da infraestrutura ou nos aparelhos que chegam às mãos dos consumidores. Assim, a história da Sony Ericsson é parte fundamental do avanço tecnológico vivido pelo Brasil neste século.
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