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Tecnologia brasileira 3D pode revolucionar testes e reduzir uso de animais em pesquisas

Pesquisadores do CNPEM, em Campinas, desenvolveram uma tecnologia capaz de cultivar células em 3D, aproximando testes laboratoriais das condições reais do corpo. A inovação facilita o desenvolvimento de medicamentos, reduz o uso de animais em pesquisas e deve estar disponível nacionalmente até 2027.

Por Victor Navarro · 14 de ago. de 2026, 11:23

Tecnologia brasileira 3D pode revolucionar testes e reduzir uso de animais em pesquisas
Pesquisadores do **Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)**, localizado em Campinas (SP), criaram um dispositivo microscópico inovador capaz de cultivar células em três dimensões. Esta tecnologia tem potencial para transformar o desenvolvimento de medicamentos e a avaliação de segurança de materiais, aproximando os testes laboratoriais das condições reais presentes em seres humanos e animais, além de reduzir significativamente a dependência de experimentos com animais. ## Inovação para o cultivo celular em 3D O novo equipamento utiliza uma técnica conhecida como **microfluídica**, que permite controlar volumes muito pequenos de líquidos através de canais microscópicos. Isso possibilita que as células cresçam em estruturas tridimensionais, chamadas **esferoides**, que simulam de maneira mais fiel o comportamento dos tecidos orgânicos. Ao contrário dos métodos convencionais, onde as células são cultivadas em superfícies planas, o formato 3D copia o ambiente natural dos tecidos, proporcionando dados mais precisos e robustos para os estudos. ## Benefícios e diferenciais da tecnologia Entre os principais avanços trazidos pelo dispositivo, destacam-se: - Cultivo de modelos celulares tridimensionais de forma padronizada e reprodutível; - Circulação controlada de líquidos, trazendo condições dinâmicas semelhantes às do corpo humano; - Possibilidade de abertura da plataforma após o experimento, permitindo a recuperação e análise detalhada dos esferoides intactos; - Ampliação da variedade de ensaios, facilitando estudos tanto com medicamentos quanto com nanomateriais e poluentes. O design reversível do equipamento se destaca por possibilitar a abertura da plataforma pós-experimento, algo incomum em tecnologias similares, que geralmente são permanentemente seladas. Essa característica permite que as estruturas celulares sejam removidas intactas, ampliando o escopo das análises laboratoriais. ## Impacto para a pesquisa científica e ética animal De acordo com Iris Renata Sousa Ribeiro, pesquisadora do **Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano-CNPEM)** e autora principal do estudo, a tecnologia foi desenhada para ser acessível a pesquisadores de diversas áreas, fortalecendo a padronização dos protocolos científicos e incentivando análises toxicológicas mais sofisticadas. Embora a proposta não elimine completamente a necessidade dos testes em animais, oferece uma alternativa viável para reduzir sua utilização e aprimorar os experimentos realizados em laboratório. O artigo científico, publicado em julho de 2026 na revista ACS Measurement Science Au, abre caminho para que a plataforma seja utilizada, ainda nos próximos anos, em universidades, institutos de pesquisa e empresas espalhadas pelo Brasil. O objetivo da equipe é liberar o acesso à tecnologia até o início de 2027. Como destacou Iris, "Queremos que pesquisadores de todo o país possam utilizar essa tecnologia para desenvolver ensaios de toxicidade mais precisos e mais próximos das condições reais encontradas em organismos vivos". ## Perspectivas para a ciência brasileira A criação do dispositivo reforça a posição do Brasil como protagonista em pesquisas avançadas de biotecnologia e inovação. Com a perspectiva de uso amplo, a tecnologia tem potencial para acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos e contribuir para uma ciência mais ética e eficiente. Fique por dentro das últimas novidades sobre ciência e tecnologia em braziltechhub.com

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